domingo, 13 de maio de 2012

Visita ao Centro-Cultural Brasil-Turquia




Membros do grupo presentes: Augusto, Cila, Cybele, Daniella, Danilo, Flávia, Luciana, Natalia, Peter,Valmir. 

No sábado, dia 21 de abril, visitamos o CCBT, CENTRO CULTURAL BRASIL-TURQUIA, que fica localizado nos Jardins. Fomos muito bem recebidos, com direito à chá turco e biscoitos típicos. O diretor Mustafá Goktepe que nos recebeu, e todos que estavam presentes foram muito hospitaleiros, tanto que estamos em via de reservar uma próxima visita. O centro, recém-estabelecido, proporciona aulas de língua turca, além de ser responsável por um curso de cultura turca reconhecido pela PUC e pela USP. Na nossa reunião, tivemos uma exposição sobre política externa turca – e sua relação com a política externa brasileira - feita por Mustafa Kapucu, cônsul da República Turca. Aqui, coloco alguns temas levantados pelo cônsul (as quais refletem as posições oficiais da Turquia)  e questões colocadas a ele posteriormente. A reunião contou também com a presença de Hamdullah Ozturk, representante do Brasil no diário Zaman.  
A política externa da Turquia e do Brasil tem muitos pontos semelhantes, por exemplo, a tendência a não interferir nos assuntos domésticos dos outros países e de priorizar sempre o diálogo, antes de ser tomada qualquer outra decisão. No entanto, as políticas apesar de serem semelhantes possuem motivos diferentes. Tanto a Turquia como o Brasil são países importantes, e querem assumir cada vez mais o seu papel fundamental na sociedade internacional. Antes, ambos países tinham uma influência regional, mas agora têm uma influência mundial.

A aproximação entre Brasil e Turquia aumenta consideravelmente, principalmente, no âmbito do comércio exterior; houve uma triplicação no volume comercial importado e exportado dos dois países desde 2007. Além disso, há uma tentativa de os dois países buscarem a parceria alheia também no que concerne à política mundial, um alinhamento nos discursos exteriores. Porém, no caso da Síria, a Turquia atua de forma mais ativa, já que, pela proximidade, é inevitável que os acontecimentos da Síria afetem a Turquia; há mais de trinta mil refugiados provenientes da Síria morando na Turquia, além das semelhanças entre alguns grupos étnicos sírios e turcos.

A Turquia é um país que se situa em diversos planos: no Oriente Médio, na Ásia, na Europa e nos Balcãs. Além disso, é um país de maioria muçulmana, porém laico, com presença de distintos grupos religiosos. Devido a sua situação peculiar, a Turquia tinha um tipo de política externa, focada em políticas de segurança, devido à presença de distintos conflitos – Irã, Iraque, Síria, Rússia, Armênia-; no entanto, a Turquia vem mudando a sua política externa: a Turquia passou a ver a situação no Oriente Médio não como crises mas como oportunidades para transformar a região.

É a “política de problema zero” do ministro do exterior Davutoglu, essa política em si é um ideal, é um modelo de atuação, no entanto, cabe lembrar que nem sempre é possível manter uma agenda positiva,. Um exemplo dessa política seria a relação da Turquia com o Irã, que apesar de notáveis diferenças de ideologia, conseguem se relacionar; privilegiando as relações econômicas e a não-ingerência nos assuntos internos dos outro países. A Turquia aprendeu que como não se pode escolher os seus vizinhos, há que saber lidar e conviver com eles.

Antes, mais da metade do comércio turco era feito com a Europa, porém, nos últimos tempos, a Turquia está privilegiando mais os seus vizinhos. Afinal, depois que a Turquia aceitou as suas diferenças com os seus vizinhos, ela passou a ter uma melhor relação com eles, no sentido de que quanto maior a relação cultural entre dois países, menor a chance de ter problemas políticos. A política externa turca pretende consolidar o regime de direitos humanos e democracia para os seus vizinhos. A própria Turquia está elaborando mudanças constitucionais – sua Constituição data de 1980 - para consolidar sua democracia e tornar-se um exemplo para a região. Ao mesmo tempo, a Turquia adotou uma posição favorável a mudanças na Primavera Árabe, defendendo os interesses do povo e negociando com os líderes o fim do derramamento de sangue.

A Turquia mantém boas relações com as entidades internacionais; e tem interesse no BRICS. Além disso, a Turquia consegue manter relações positivas tanto com os Estados Unidos como com o Irã. Isso decorre da aceitação e reconhecimento que a Turquia tem de si mesma. A Turquia também mantém relações saudáveis com a Europa.

Perguntas e Respostas para o Ministro

Peter: No caso da Síria, há a possibilidade de a Turquia atuar de forma mais ativa, militar, na região?

Resposta: A intervenção militar, para a Turquia, é a última solução a ser pensada. Além disso, a Turquia não entraria em uma guerra sozinha contra a Síria. Dado a recorrência de invasões sírias em território turco, a Turquia vai recorrer ao direito internacional e à negociação –apoio à iniciativa de Kofi Annan- para solucionar esses conflitos.

Peter: No vídeo e na sua exposição, a Turquia é apresentada como um país multirracial e multicultural, no entanto, como fica essa definição quando olhamos para a época de Attaturk com sua visão de uma única nação turca?

Resposta: Com o final da Primeira Guerra Mundial, a Turquia deixou de ser o Império Turco-Otomano e passou a ser um país de uma nação apenas. Nesse período, a Turquia tinha preocupações com o imperialismo dos outros países, de forma que o exército era a instituição mais fortalecida. O povo apoiava o exército e, como consequência, a Turquia esteve sob regime militar por muitos anos. Aos poucos, a Turquia começou a ter liberalização do pensamento e expressão; e no momento atual, pode-se dizer que tudo é possível de ser falado na Turquia.

Ernesto: Como a Turquia avalia as intenções nucleares do Irã?

Resposta: Para a Turquia, todo país tem direito a ter políticas pacíficas de desenvolvimento nuclear, disso decorre que a Turquia acredita que todo programa nuclear é pacífico até que seja provado o contrário; lembrando que a Guerra do Iraque foi causada pelo pressuposto da existência de armas nucleares. No entanto, a Turquia é um país que não tem armas nucleares, e dessa forma, não quer que os seus vizinhos –Irã- a tenham.

Daniella: Como estão as relações entre Israel e Turquia depois da questão não resolvida da flotilha?

Resposta: Antigamente, as relações econômicas, políticas e militares eram boas com Israel. Isso começou a mudar há cinco, seis anos, quando o Hamas foi eleito na faixa de Gaza. As relações pioraram recentemente devido ao acidente da flotilha; e a Turquia exigiu um pedido de desculpas de Israel e o pagamento de pensão para as famílias das vítimas. Israel negou, quando o país aceite as demandas turcas, as relações entre os dois países, provavelmente, voltarão a melhorar.

Augusto: Quais são as principais mudanças da política de problema zero?

Resposta: Houve muitas mudanças, porém, cabe lembrar que a política de problema zero é um ideal, um objetivo; afinal a Turquia sempre teve – e ainda tem- problemas com alguns vizinhos, como o Irã, Iraque, Síria e Armênia.  Para a Turquia, apesar dos problemas, é preciso seguir uma agenda positiva, não voltada para os problemas.

Cila: Como a população turca avalia o governo AKP?

Resposta: O partido conseguiu metade dos votos na última eleição. A oposição é fraca na Turquia; em geral, são os partidos conservadores que ganham as eleições pois os partidos de esquerda não têm muita força. Nas eleições, os próprios líderes influenciam muito, e também a situação econômica do país; quando a economia está bem, observa-se uma continuidade dos partidos no poder.

Peter: E sobre a Questão Curda?

Resposta: Quanto aos curdos, não há uma desigualdade jurídica mas sim social, há uma falta de desenvolvimento nas regiões onde os curdos habitam. Mas, por exemplo, há uma TV estatal que transmite programas em língua curda. Além disso, há sempre que diferenciar os problemas terroristas que a Turquia enfrenta dos problemas do povo curdo.

Peter: O movimento gülenista é visto, para a Turquia, como desafio ou oportunidade? E por que o fundador encontra-se exilado nos Estados Unidos?

Resposta: O movimento é visto tanto como problema como oportunidade. Esse movimento é um movimento tanto social como religioso; e as pessoas que tentaram mudar a imagem do movimento gülenista estão agora sendo julgadas. Pelas leis turcas, o fundador pode voltar à Turquia, mas para não gerar problemas internos, opta-se pela continuação de sua permanência no exterior.


Abraços a todos,
Daniella K.Abramovay 

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Reunião 26/03 - Filme "A Separação"

Data:Reunião 26 de março de 2012.

Local: Sala 10, prédio da História.FFLCH.

Participantes: Ariel, Augusto, Cila, Cybele, Daniella, Danilo, Luciana, Natalia, Valmir Araújo, Peter.

Tema: Filme “A Separação” (Jodaeiye Nader az Simin) de Asghar Farhadi.

Pequeno resumo, retirado da wikipedia, para os que não puderam ver o filme:

A Separation (in Persian: جدایی نادر از سیمین‎ Jodái-e Náder az Simin, "The separation of Nader from Simin") is a 2011 Iranian drama film written and directed by Asghar Farhadi, starring Leila Hatami, Peyman Moaadi, Shahab Hosseini, Sareh Bayat, and Sarina Farhadi. It focuses on an Iranian middle-class couple who separate, and the conflicts that arise when the husband hires a lower-class caretaker for his elderly father, who suffers from Alzheimer's disease.

Apresentação do filme feita por Ariel

O filme apresenta elementos que podem ser relacionados tanto com questões de âmbito universal como com questões que afligem apenas a sociedade iraniana.

Aspectos do filme que podem ser tidos como universais:

1-Comprometimento

Todos os personagens do filme passam por um dilema ético. Apresentam dificuldades em comprometer-se com a honestidade. Os personagens tentam ser honestos ou, ao menos, parecer honestos.

Essa ideia pode ser levada para o âmbito político também, no sentido da necessidade de o governo iraniano comprometer-se com o jogo político, com a concertação política.

2-Separação

As dificuldades encontradas em um relacionamento e, principalmente, em um casamento, podem ser vistas em quaisquer culturas.

A questão de relacionar-se também envolve o comprometimento, por isso que, na atualidade, há um menor grau de relacionamentos duradouros e estáveis.

3-Religião

O peso religioso está presente em diversas partes do mundo. Há de observar como cada um lida com o peso religioso no seu respectivo cotidiano.

A religião representa um elemento transcendental ao qual as pessoas recorrem quando precisam de ajuda ou quando não podem entender a realidade a partir de pressupostos imanentes.

Comentários do grupo:

Para Natalia, a questão da religião ocorre em um âmbito mais individual mas também poderia ser transposta para o regime, no sentido de o regime iraniano abrir-se ou não para o exterior.

4-Moral

Temas morais tais como a oposição de morte e vida ou da razão e emoção fazem parte do cotidiano da maioria das pessoas.

5-O comportamento humano frente à raiva e à frustração

Como os indivíduos, independente do seu país de origem, lidam com as frustrações, com os acidentes e com a raiva.

Aspectos do filme relacionados com a sociedade iraniana:

1-Identidade

O filme procura mostrar como os iranianos lidam com a sua identidade, a qual é, ao mesmo tempo, persa e islâmica.

O legado persa paralelo ao peso da religião islâmica acaba por gerar um conflito de identidade. Assim, a identidade islâmica e persa chocam-se em alguns momentos. Augusto aponta que, no filme, isso pode ser visto quando Nader ensina a sua filha Termeh o que é árabe e o que é persa (farsi).

No entanto, o professor Peter aponta que o Irã não é um país homogêneo, há várias etnias, tais como curdos, árabes e azeris. Apenas a metade da população é persa. Assim, pode-se afirmar que não ocorre uma homogeneidade cultural mas sim uma hegemonia cultural-linguística dos persas.

Esse questionamento sobre a sua própria identidade pode ser traduzido para ao âmbito externo; se o país deve seguir os aiatolás e manter-se fiel aos princípios islâmicos, ou se deve admitir uma abertura mais proeminente na sociedade internacional?

Para Ariel, o contraponto do modelo iraniano atual seria o da Turquia, um país democrático e com um Islã secular. Desta forma, pode-se observar uma polaridade entre o modelo turco e a retórica iraniana de “modelo puro árabe”.

O presidente iraniano, Ahmadinejad, em 2008, adotava um discurso religioso fervoroso. A partir de 2009, pode-se ver que esse modelo foi mitigado, e o Irã, apresenta sinais de crises de identidade. Além disso, algumas lideranças religiosas voltaram-se contra ele. De forma que é possível questionar se a retórica do moralismo religioso, no Irã, está perto de esgotar-se.

Nesse sentido, Razieh representaria o exemplo desse conflito religioso que assola algumas pessoas. No filme, Razieh recorre ao “disque-pecado” para saber lidar com as situações.

2-Divisão da Sociedade Iraniana

O filme mostra a existência de uma divisão de classes sociais. O casal Nader e Simin, com melhores condições financeiras, lidam com questões distintas das do casal Hojjat e Razieh.

Duas classes sociais distintas chocam-se no acidente e na justiça. O casal mais pobre, que é mais religioso, acredita que o Estado acaba por sempre prejudicá-lo.

Além disso, pode-se colocar que a investigação parecia ser parcial, já que o juiz mostrava estar mais preocupado com as queixas de Nader em detrimento das queixas de Razieh.

Comentários do grupo:

Para Luciana, o filme apresenta sutilezas, nas quais se pode observar conflitos de classe, por exemplo, Simin quer que a filha tem um maior acesso ao conhecimento e à globalização.

Danilo coloca que, apesar da existência de diferenças sociais, isso não chega a ser razão para que uma classe trate mal a outra, tal como ocorre em algumas sociedades contemporâneas.

3- Vida urbana em Teerã

Uma série de elementos urbanos podem ser vistos no filme tais como a existência de trânsito e escolas de elite. Dessa forma, comprova-se que Teerã é uma cidade urbanizada e moderna, o que se contrapõe ainda mais com as áreas rurais do Irã.

Ariel levanta outra questão: O regime dos aiatolás tem aceitação em Teerã? Até que ponto?

4- Questão Feminina

O filme mostra duas mulheres diferentes; Razieh é bastante religiosa e pobre, enquanto que, Simin não é tão religiosa e faz parte da classe média. Porém, essas duas mulheres diferentes vivenciam um período de crise de identidade.

Simin questiona se deve sair do país, se isso corresponderia a uma fuga ou resignação. Já Razieh vive em um dilema religioso; caso aceite o trabalho, poderá ajudar financeiramente seu marido, porém terá de mentir para ele, pois ela mesmo não sabe em que medida a religião permite que ela cuide do pai de Nader (tanto que recorre ao “disque-pecado”).

Comentários do grupo:

Para Danilo e Natalia, o filme apresenta uma perspectiva positiva quanto à situação das mulheres no Irã. Porém, Peter aponta que a emancipação feminina no Irã deve ser relativizada; no Irã, a mulher até pode pedir o divórcio, porém esse depende do aval do homem (caso o homem recuse o divórcio, o qadi pode cancelar o casamento). Já o homem pode divorciar-se por tríplice rejeição da mulher (talaq) no sunismo. No Irã xiita, o talaq não é reconhecido

Além disso, ao comparar o Irã com o Paquistão e com o Afeganistão, a mulher iraniana claramente tem mais autonomia. No entanto, ao comparar o Irã com Turquia ou Marrocos, a autonomia feminina iraniana é menos visível. Isso está presente, por exemplo, no direito da solteira ou divorciada de morar ou viajar sozinha.

Para Cila, apesar de o filme mostrar que as mulheres podem ter autonomia no Irã, há de levar em consideração a existência de famílias tradicionais, nas quais essa autonomia é, no mínimo, atenuada.

Ariel questiona em que ponto está a emancipação feminina no Irã?

5- Situação crítica do regime iraniano na atualidade

Irã vive em um momento complicado dado a primavera árabe que assolou diversos países do Oriente Médio. O país deve abrir-se ao mundo ou continuará a manter-se isolado do sistema internacional?

6-Questão Nuclear

Outro aspecto da situação peculiar iraniana é a existência ou não de bombas nucleares. O país deve continuar a enriquecer urânio ou deve parar o enriquecimento para que as sanções da União Europeia e dos Estados Unidos deixem de afetar negativamente a sua economia?

Pontos levantados na reunião:

A honra pode ser relacionada com uma questão religiosa ou cultural?

Para Peter, a ênfase na honra do homem, como um ser dependente do comportamento sexual de sua esposa ou filhas, representaria um elemento mais cultural. Afinal, a busca em manter a honra e a integridade estaria presente em países que não são muçulmanos. Assim, pode-se dizer que a honra é uma questão que aparece antes da religião. No entanto, a honra não deixa de ser um elemento incorporado pelo Islã, uma vez que a maioria dos países árabes são patriarcais.

Peter notou que no filme, mesmo em um ambiente familiar, as mulheres continuam a usar véu. Fato que é, no mínimo, estranho já que as mulheres, quando chegam a lugares domésticos, costumam tirar o véu. Isso, provavelmente, refletiria a existência de regras cinematográficas vigorando no Irã.

Quanto à questão do feminismo no Irã; Peter afirma que quando ocorre uma separação a criança, na maioria das vezes, fica com o pai (oposto do Ocidente). Além disso, o homem pode repudiar a sua esposa, e caso haja denúncia; por exemplo, de traição, o testemunho de uma mulher vale, geralmente, a metade do testemunho de um homem.

Outro aspecto interessante, trazido pelo professor Peter, é que no filme há uma clara duplicidade das pessoas. Todos mentem: Simin, Razieh, Nader e Termeh. Além disso, Simin é mostrada no filme de forma negativa, como uma covarde que pretende fugir do seu país de origem. Enquanto que Nader aparece de forma mais simpática, leal ao pai (assim como o indivíduo teria de ser leal ao seu país).

sexta-feira, 23 de março de 2012

Reunião 12/03 - Intervenção na Síria

Data, Local: 12 de março de 2012. Sala 10, prédio da História. FFLCH.

Participantes: Prof.Peter, Augusto, Daniella, Danilo, Cila, Cybele, José Antônio, Luciana, Natalia, Vladimir.

Tema: Atualidades.

A reunião consistiu na análise de questões da atualidade e, principalmente, sobre uma possível intervenção estrangeira na Síria. Uma série de exposições individuais foram feitas, as quais baseavam-se em perspectivas distintas.


Apresentação Cila – Declaração Política do Partido Comunista Sírio

O texto representa um discurso panfletário, no sentido de atrair atenção ao discurso comunista, contrário ao imperialismo.

De acordo com o panfleto, a Síria deve espantar “os imperialistas”, não permitindo uma intervenção no país. O partido defende o regime de Bashar AL-Assad, por considerá-lo um governo legitimamente anti-imperialista e defensor das lutas populares.

Desta forma, o partido demanda à população síria que lute contra as forças externas e que apoie o governo de Assad. Os levantes violentos que ocorrem na Síria são feitos por grupos terroristas e, principalmente, pela Irmandade Muçulmana. Além disso, os ataques são dirigidos a intelectuais e cientistas com o único objetivo de desarticular e enfraquecer o governo.

O partido acredita na redemocratização prometida por Assad. Ademais, caso houvesse a implantação de um novo governo, esse seria comandado pela Irmandade Muçulmana, considerada como retrograda.

Comentários Peter:

O argumento do partido comunista assemelha-se ao argumento oficial do governo. De acordo com essa visão, a Síria faria parte de um eixo anti-imperialista, junto ao Irà e à Venezuela.

A legitimidade do governo deriva da oposição ao imperialismo, tal como a oposição a Israel e sua ocupação das Colinas de Golã. Além disso, por mais que o regime tenha defeitos, ele serviria a um propósito maior.

O partido visualiza a Irmandade Muçulmana como oposição, e, de certa forma, isso é verdade, pois o governo apesar de extirpar as oposições políticas, não pode erradicar as oposições religiosas.


Apresentação Natalia – Ed Husain “West must not interfere militarily in Syria”

Embora o autor não simpatize com o regime de Assad, o texto apresenta uma perspectiva claramente contrária à intervenção. Para o autor, essa intervenção corresponderia a mais uma intervenção norte-americana a um país de maioria muçulmana.

Além disso, haveria que discutir como ocorreria essa intervenção: seria estabelecido um cordão humanitário? Quem dominaria a Síria? O que apaziguaria as hostilidades chinesas e russas na Síria?

Para Ed Husain, a intervenção conduziria a uma situação ainda pior, pois a Síria não é um país homogêneo e estável, pelo contrário, há uma inegável variedade étnica e religiosa em seu território. Portanto, a guerra teria de servir apenas como último recurso; caso a diplomacia, as sanções e o isolamento de Assad falhassem.


Apresentação José Antônio – Anne Marie Slaughter “How the world could- and maybe should – intervene in Syria?”

O texto, proveniente de uma respeitada internacionalista associada ao governo de Obama, possui argumentos claramente liberais favoráveis à intervenção. Esses baseiam-se em quatro pontos principais:

- A comunidade internacional precisa aceitar que a queda de Assad não é inevitável, assim, é preciso pensar em cenários alternativos, caso contrário, uma guerra civil poderia eclodir.

- Há a necessidade de invocar a política de “responsabilidade de proteger”, portanto, é preciso agir e não apenas falar do que ocorre na Síria.

- Cabe citar que conflitos de grandes proporções emergiram de situações nas quais os governos violaram os direitos de seus cidadãos, como, por exemplo; os judeus na Segunda Guerra Mundial, os iraquianos, com a Guerra no Irã e no Kuwait, os ruandeses, em um conflito que se alastrou por quinze anos, e os conflitos presenciados nos Balcãs.

- Os Estados Unidos devem mostrar seu compromisso com a sociedade internacional de forma a não afetar a sua credibilidade internacional.

A intervenção deve ocorrer, porém, essa deve basear-se em quatro condições fundamentais: a oposição síria demandar a intervenção armada, a liga árabe endossar o pedido, a intervenção limitar-se à proteção dos civis e a imprescindível adoção de um consenso na ONU.

Comentários Peter:

O argumento mais forte do texto consiste no argumento moral, o qual estabelece que a sociedade internacional não deve ficar inerte. Os outros argumentos são mais práticos e fracos.

Além disso, há contra-exemplos de violações de direitos humanos que não foram seguidas por conflitos de maiores proporções.


“What should the United States do about Syria?” A TNR Symposium (The New Republic)

Apresentação Cila- Daniel Dresdner – “Why we should arm the opposition”

O autor propõe que os Estados Unidos cumpram sua função de único país, na sociedade internacional, capaz de enfrentar a situação síria. O governo de Obama não deve mais ficar apenas no âmbito discursivo.

Os Estados Unidos deveriam armar a oposição síria, na tentativa de equilibrar o jogo de forças, uma vez que Rússia e Irã já disponibilizam armas para os defensores de Assad.

A intervenção não equivaleria a uma boa opção; pois, poderia ocasionar mais mortes, gerar um conflito sectário interno, retaliação por parte do Irã e a possibilidade de uma corrida armamentista “por procuração” (proxy wars) dentro das fronteiras sírias.

Comentários Peter:

Há que considerar a possibilidade de a Rússia deixar de apoiar incondicionalmente a Assad, e isso só seria feito se houvesse garantias ao acesso do porto de Tartus, no mediterrâneo, pela oposição síria.


Apresentação Augusto – Suzzane Nossel “Why pressuring Russia and China is the key to ousting Assad”

O veto por parte da Rússia e da China representa a fonte do impasse à intervenção na Síria. No entanto, o isolamento dos dois atores facilita, de alguma forma, um possível convencimento para que mudem de posição.

É necessário convencer a Rússia, uma vez que a China está basicamente apoiando a sua posição, e caso ela mude, nada impede que a China mude também.

Peter: O poder de veto do CSNU não deve ser ignorado, pois ele é capaz de inibir qualquer ação do Conselho de Direitos Humanos da ONU.

Apresentação Augusto - Blake Hounshell “Why Obama’s hand are tied?”

Para o autor, Obama está de mãos atadas não apenas por falta de opções políticas mas também por falta de vontade política para agir incisivamente na Síria, dado a sucessão de erros cometidos na intervenção na Líbia.

Os Estados Unidos deveriam fornecer ajuda humanitária e apoio diplomático, e não sanções econômicas.

Peter: O autor apresenta um otimismo de certa forma ingênuo, pois é difícil acreditar que Assad sairá do poder sem uma intervenção internacional.


Apresentação Danilo – Larry Diamond “How we should engage with Assad in order to oust him?”

A não intervenção na Síria representa uma falha diplomática grave, porém essa intervenção deve representar um acordo político para que não ocorra os mesmos erros da Líbia.

Um governo justo e legítimo deve ser estabelecido, deve ser garantido os direitos às minorias e a família de Assad deve embarcar de forma segura ao exílio.


Apresentação Luciana – Michael Weiss “A blueprint for military intervention”

O autor acredita que os avanços feitos pelo Exército da Síria Livre representam uma vitória do movimento de oposição dentro da Síria.

Há uma guerra civil que já culminou em uma guerra sectária. Nesse sentido, os sírios ansiariam por uma intervenção para que houvesse o fim da violência e o estabelecimento de certa segurança, o que o autor denomina como “efeito psicológico da intervenção”.

Comentários Peter:

Quando se arma um lado, não necessariamente esse lado vencerá, pois Irã, Rússia e China podem armar o outro lado, o que levaria, inevitavelmente, a uma ampla guerra civil e a um risco de expansão da guerra para todo o Oriente Médio.


Apresentação Professor Peter – Media spin acerca da popularidade do regime de Assad

Uma pesquisa da opinião pública, sobre a popularidade de Assad, afirmou que ao redor de 55% dos sírios estariam a favor de Assad. No entanto, pode-se questionar essa pesquisa, uma vez que as perguntas foram feitas apenas a um grupo pequeno de sírios com boas condições econômicas, e parcialmente fora da Síria, o que diminuiria a representatividade dos resultados.


Questionamentos apontados durante a reunião:

· Caso Assad saia do poder, quem ficará no seu lugar?

· Como seria feita uma intervenção? E o desalojamento?

· Na Síria, diferentemente da Líbia, não há um deserto no qual cidades pequenas possam ser bombardeadas.

· Mais difícil diferenciar, na Síria, amigos de inimigos, caso houvesse uma intervenção.